Quando a gente pensa na gastronomia gaúcha, é quase automático lembrar de churrasco, chimarrão, carreteiro e tantas outras receitas que fazem parte da nossa cultura.
Mas e a sobremesa?
Porque se tem uma coisa que também faz parte das memórias de muita gente no Rio Grande do Sul é aquela mesa da vó cheia de receitas simples, doces e com gosto de infância.
Tem sagu, ambrosia, arroz-doce, chimia… e provavelmente alguma receita que ninguém sabe exatamente as medidas porque a vó sempre fez “a olho”.
No mês em que celebramos as tradições gaúchas, resolvemos lembrar de alguns desses sabores.
Sagu com creme
Talvez seja difícil encontrar uma sobremesa mais presente nos almoços de família por aqui.
As pequenas bolinhas de fécula de mandioca normalmente são preparadas com vinho tinto e acompanhadas por um creme claro e delicado. O contraste entre os dois virou um clássico das mesas gaúchas.
E existe sempre aquela discussão importante: mais sagu ou mais creme?
Cada família parece ter sua resposta.
Ambrosia
Leite, ovos e açúcar se transformam em uma sobremesa cheia de pedacinhos macios e uma calda deliciosa.
A ambrosia tem origem muito anterior à própria formação da cultura gaúcha e aparece em diferentes regiões do Brasil, especialmente onde houve forte influência portuguesa.
Por aqui, encontrou espaço nas receitas de família e virou presença conhecida naquelas sobremesas servidas em potinhos — muitas vezes preparadas pela vó sem precisar consultar receita nenhuma.
Arroz-doce
Outro daqueles doces simples que atravessam gerações.
Arroz, leite, açúcar e canela formam uma sobremesa que aparece em diferentes culturas e regiões do Brasil. No Rio Grande do Sul, também ganhou seu lugar nas mesas de família.
Quentinho no inverno ou geladinho depois do almoço?
Essa discussão deixamos para vocês.
Chimia
Se tem uma palavra que entrega um gaúcho rapidamente, talvez seja chimia.
O nome tem influência dos imigrantes alemães e acabou se tornando muito popular no Rio Grande do Sul para falar das preparações feitas principalmente à base de frutas e açúcar.
Uva, figo, pêssego, abóbora… cada família tem sua preferida.
E quem cresceu no interior provavelmente já encontrou um vidro de chimia caseira na geladeira da vó — muitas vezes feito com as frutas do próprio quintal.
Doce de abóbora
Com coco, sem coco, mais cremoso ou em pedaços: o doce de abóbora também faz parte daquele repertório de receitas que lembram casa de vó.
É simples, leva poucos ingredientes e representa muito bem uma característica dessas sobremesas antigas: aproveitar ingredientes disponíveis e transformá-los em algo especial.
Doce de figo
No Rio Grande do Sul, especialmente nas regiões de colonização italiana, frutas da estação sempre tiveram espaço importante nas receitas caseiras.
E o figo é um ótimo exemplo.
Preparado em calda, cristalizado ou transformado em doce, ele aparece até hoje em muitas mesas — e fica ainda melhor acompanhado de creme ou queijo.
Mais do que sobremesas, são memórias
Talvez seja justamente por isso que esses doces continuam tão presentes.
Não é só pelo sabor.
É porque eles lembram almoço de domingo, casa cheia, café passado, conversa demorada e alguém perguntando:
“Vai querer sobremesa?”
E mesmo quando a resposta era “não cabe mais nada”, misteriosamente sempre aparecia um espacinho.
Receitas mudam, novos sabores chegam e a confeitaria continua se reinventando. Mas algumas coisas atravessam gerações porque carregam histórias junto com elas.
Aqui na Amados, a gente acredita muito nisso: doce também é afeto, encontro e memória.
E quem sabe, daqui a algumas gerações, além do sagu, da ambrosia e da chimia, tenha uma vó colocando uma travessa de cookies na mesa e ouvindo:
“Bah, vó… tem mais um?” 🍪🧉❤️


